sexta-feira, julho 30, 2010

Seja Ars, Seja Feliz!

(Por favor, para entrar no clima do post, clique play no vídeo abaixo antes de seguir lendo. Obrigado)




Ah! Os Arsim. Tanto de Israel cantado em versos e prosa, exaltado pela cultura popular e erudita e tão pouco é dito sobre este ícone da personalidade israelense: o Ars.

Sociólogos se perguntam se o Ars é um subproduto da sociedade ou sua razão de ser - como se fizesse qualquer diferença decidir o que veio antes; o ovo ou a galinha.

Existem basicamente dois tipos de Arsim. Há o Ars que nega sua condição de Ars, e o que a exalta. O primeiro tipo vai usar as roupas mais caras de que já ouviu falar. Mesmo que uma coisa não combine muito com a outra. É um quase metrosexual, mas provavelmente cuida tanto dos cabelos do peito quanto os da cabeça, deixando todos devidamente visíveis (e oxigenados). O Ars de negação vai ouvir musica oriental bregamusic, mas só as que estão no main-stream. Ele provavelmente tem família em Rishon-Le'Tzion, mas faz questão de morar em Tel-Aviv. Tem uma namorada "séria", mas faz questão de ser conhecido como grande comedor.

Já o Ars que se exalta é o contrário: provavelmente está comendo várias, mas tanto ele quanto as ditas preferem negar a situação. Ele tem um vocabulário próprio que, por algum motivo fisiológico, não pode ser proferido abaixo de 160 decibéis (é curioso observar que, quando nervoso - isto é, 95% do tempo, este tipo de Ars justamente fala baixo e com pretensa calma). Na comunicação, este tipo de Ars fica completamente mudo se não puder usar o corpo inteiro (especialmente as mãos) para dizer o que quer. Veste-se de maneira casual com uma camiseta regata e calça velha. Nos velhos, a calça deixa aparecer o cofrinho. Nos jovens, deixa aparecer a cueca - que aliás, é o que usam na praia.

Ambos tem o mesmo gosto culinário: comida da mãe, shawarma e faláfel. A diferença está no método de comer sementinhas de girassol. Um joga tudo empilhado no chão mesmo numa bonita montanha. O outro espalha as sementinhas por um espaço mais amplo.

Posicionamento político: conservador. Posicionamento religioso: conservador. Posicionamento social sexual: depende. Na verdade, são ambos bastiões do machismo conservador, mas o primeiro tipo, o Ars de negação, vai dizer que é liberal prá caramba, e vai explicar que os grilhões que põe na mulher na frente do tanque é pelo bem dela, para não se perder pela casa.


Moshik Afia; Exemplo de Ars exaltado travestido de Ars discreto


Nos últimos anos, imitando o movimento Black-Power dos EUA nos anos 70, quando o slogan era "Black is Beutiful", entrou na moda em Israel o "Ars is cool". Não que não fosse fato conhecido tanto do povo quanto dos meios acadêmicos que, um pouco de Ars, quase todo israelense tem. Ser Ars agora está na moda. É in, é fashion. E daí vem agora esse povo que põem humus em tudo que é comida festejar sua Arsitute colocando neon roxo debaixo do carro (o Arsmobile), pendurando uma Hamsa no espelho, ouvindo Shlomi Saranga (do vídeo lá de cima) no máximo volume e - não só achar que está abafando, mas efetivamente estar.


Estudo científico de campo sobre os Arsim.

2 comentários:

ארינה disse...

Estou há dias me concentrando para escrever sobre essa espécie em ascensão em Israel e este post serviu como fundamentação teórica hahah!
Eu sempre achei que todo Ars era orgulhoso de sua Arsitute, mas com esse texto você me fez perceber que não.
Muito esclarecedor e construtivo!

Anônimo disse...

na minha opiniao preconceituosa e supremacista, moldada dessa forma em virtude do comportamento escroto deste tipo de gente, o mundo seria melhor se os mizrahim lixo nao existisse, como vc mesmo disse antes, todo israelense tem um pouco de ars, e esse sim eh o maior problema de israel. Fodam-se os iemenitas e principalmente os marroquinos, ou como dizem por aqui, marocaqui