sexta-feira, junho 12, 2009

O Caso do Colchão Velho

História absolutamente verídica relatada pelo Yediot Haharonot de ontem. Passou-se em uma pequena cidade satélite de Tel-Aviv não identificada pela reportagem.

O "causo" foi o seguinte. A filha, lá pelos seus 40 anos de idade, comprou um colchão de presente para mãe.

A reportagem ainda esclarece que ela ganhou um desconto especial pelo local de trabalho. É uma maneira cafajestésima que empresas de cartão de crédito e de promoções têm de se verem livres de estoques e de produtos encalhados: imprimem para os funcionários de empresas associadas um boleto de "desconto" e estes, que nem sequer pretendiam comprar qualquer coisa, se vêem compelidos a "aproveitar" a oportunidade.

Enfim, comprou o colchão. Como não realmente precisava do colchão, ficou lá ela a pensar com seus botões o que fazer com o colchão que não precisava: deu de presente para mãe. Mas dar de presente para mãe não parecia para a distinta uma bossa legal: vai chegar em casa com o embrulho debaixo do braço dizendo "mamãe, olha só o que eu comprei prá você!"? Enfim, pro soneto ficar pior que a emenda, resolveu fazer uma surpresa.

Chegou na casa da mãe com o colchão, quando esta não estava lá, levou e velho embora para junto aos latões de lixo na rua e ficou esperando a velha para fazer uma "surpresa".

Pensando nisso agora, me ocorre a impressionante quantidade de colchões atirados à própria sorte pelas ruas de Israel. Deve ter promoção à beça por aí, porque nunca vi povo para trocar de colchão como por aqui.

Enfim, chegou a mãe, que realmente ficou surpreendida. Tão surpreendida que desmaiou, e quase teve um ataque cardíaco. É que a velha costumava guardar suas economias dentro do colchão. Em dólar. E tinha ali dentro mais de um milhão deles.

Saíram as duas estabanadas rua afora em busca do colchão velho, que já tinha sido recolhido pelo caminhão de lixo. De lá correram, de carona (com um outro caminhão de lixo, a reportagem ainda acrescenta), até o depósito da região de Tel-Aviv. Depósito esse que recolhe mais de 3000 toneladas de lixo por dia.

Até o fechamento da edição, informavam, não haviam achado ainda o colchão.

Eu fiquei lá pensando: 1) Com o dólar, do jeito que anda, guardar economias em espécie é uma forma lenta de jogar todo o dinheiro fora, de qualquer maneira. 2) Se a filha - como fez questão de informar a reportagem - estava na casa dos 40, a mãe deveria estar lá pelos 60, ou 70. Fico a me perguntar: estava guardando o dinheiro para que? Ou para quando? 3)Se tinha tanto dinheiro, por que não trocou de colchão a própria mãe, pois como está na reportagem, o colchão já tinha "décadas"? 4) O colchão velho eu não sei, mas esses novos são absurdamente pesados. A filha provavelmente não poderia enfiar-lo dentro da casa da mãe sozinha, assim que certamente teve auxilio do motorista da loja - que foi provavelmente quem ajudou a jogar o colchão velho fora. E conhecendo tanto de colchão, deve ter reparado que o colchão velho tem uma estranha textura por debaixo do tecido. Eu não procuraria no depósito de lixo, e sim na casa de algum motorista aí que já pediu demissão faz tempo. E, finalmente, 5) 3000 toneladas de lixo por dia num único depósito de lixo num país do tamanho de Israel? Um colchão, que é 100% não biodegradável e em boa parte reciclável? Com uma política ambientalista tão precária, basta o Hamás esperar uns anos, e nós nos daremos conta de nos jogarmos no mar.

2 comentários:

Pax disse...

Pois é, guardar US$ 1 milhão no colchão...

Acharam o dito recheado no lixão?

Raquel disse...

Gostei muita da sua linha invsetigativa. Legal